Itumbiara registra mais de 4,5 mil casos possíveis de dengue em 2025

Notificações caem 38% em relação a 2024, quando teve o recorde de 7,2 mil

Itumbiara registra mais de 4,5 mil casos possíveis de dengue em 2025
Mosquito Aedes Egypti

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde em Goiás, o município de Itumbiara registrou em 2025 cerca de 4.521 notificações de dengue. O número é 38% inferior ao ano de 2024, quando bateu o recorde nos últimos 14 anos com 7.297 casos. Nos últimos quatro anos, Itumbiara registrou os maiores números de casos possíveis de dengue com 4297 casos em 2022 e 7.297 em 2024. Neste ano, o número é o terceiro maior. Desde a semana 36 no ano, o município segue com casos notificados maiores que nas semanas do ano de 2024.

Em Goiás

O Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), em Goiânia, alerta para a importância de manter os cuidados contra a dengue, especialmente com a chegada do período chuvoso, quando aumenta o risco de proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.

De acordo com dados da Secretaria da Saúde de Goiás (SES-GO), até a semana epidemiológica 53, que compreende a última do ano de 2025, foram confirmados 92.703 casos de dengue em Goiás em 2025, sendo que em 2024, os casos confirmados chegaram a 323.739. A redução foi de 64%. 105 mortes foram confirmadas por dengue em 2025 contra 455 no ano anterior.

Apesar da redução, a infectologista pediátrica Roberta Rassi faz um alerta.

“Os números caíram, mas isso não significa que devemos relaxar. A chegada das chuvas cria condições ideais para o mosquito se multiplicar. Mesmo durante a seca tivemos casos, então é fundamental manter as medidas preventivas o ano todo”, reforça.

A médica lembra que o controle do vetor Aedes aegypti — transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus — é o principal método de prevenção dessas arboviroses urbanas.

“Eliminar criadouros e impedir a proliferação do mosquito continua sendo a forma mais eficaz de evitar novas infecções”, destaca.

Prevenção

Segundo Roberta Rassi, o controle da dengue é multifatorial, resultado da maior conscientização da população e também das condições climáticas mais secas registradas nos últimos meses.

“Mas é justamente agora, com o início do período chuvoso, que o cuidado precisa ser redobrado”, enfatiza.

Entre as principais medidas de prevenção, a infectologista destaca:

• Eliminar criadouros do mosquito, evitando água parada em vasos de plantas, pneus, garrafas e recipientes;

• Manter caixas d’água, tonéis e reservatórios sempre bem tampados;

• Descartar corretamente o lixo e evitar o acúmulo de entulho;

• Limpar calhas, ralos e bandejas de ar-condicionado com frequência;

• Usar repelentes e instalar telas em portas e janelas para impedir a entrada do mosquito.

“São ações simples, mas que fazem toda a diferença na redução dos casos e na proteção das famílias”, reforça a médica.

A infectologista também destaca que a vacina contra a dengue é uma ferramenta importante na prevenção das formas graves da doença.

“Estudos mostram que a vacinação reduz em até 85% os casos de internação hospitalar. No SUS, ela está disponível para o público de 6 a 16 anos, mas pode ser encontrada na rede privada para pessoas de 4 a 59 anos”, explica.

Sintomas e atenções

Os principais sintomas da dengue incluem febre, cefaleia, dor no corpo, náuseas, vômitos e manchas na pele. Crianças e idosos podem apresentar sinais inespecíficos, e qualquer suspeita deve ser avaliada por um profissional de saúde.

“O tratamento é basicamente feito com hidratação e medicamentos para controle dos sintomas. Casos mais graves exigem acompanhamento hospitalar e hidratação endovenosa”, orienta.

A médica ressalta ainda que anti-inflamatórios e medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (aspirina) são contraindicados, pois aumentam o risco de sangramentos. O vírus da dengue pertence à família Flaviviridae e tem quatro sorotipos diferentes (DENV-1 a DENV-4).

A infecção por um deles gera imunidade apenas para aquele tipo, o que significa que uma pessoa pode contrair dengue mais de uma vez.

“Manter a atenção é essencial. A dengue é uma doença que pode ser prevenida com atitudes simples, mas exige responsabilidade coletiva”, ressalta Roberta Rassi.


Comentários (0)