Itumbiara perdeu o rumo?

Opinião - Nilson Freire

Itumbiara perdeu o rumo?
Saída de Itumbiara - Avenida Modesto de Carvalho

No início da história de Itumbiara, era apenas um ponto de passagem entre o Rio Meia Ponte e Corumbá, com menor distância para chegar a cidade de Goiás, capital da província goiana, cuja origem ou destino fosse São Paulo. 

Os fazendeiros da Freguesia de Morrinhos arremataram o Porto e começaram a exploração do local com cobrança de taxas itinerárias e de passagens. Aos poucos, chegaram os posseiros de São Paulo e Minas Gerais e graças a fé católica, fizeram uma capela em louvor a Santa Rita de Cássia e deram identidade ao povoado que se formou. Criadores de gado, agricultores, escravos e alguns empregados do Porto formaram a povoação, sempre dependente inicialmente de Santa Cruz, depois de Piracanjuba e finalmente de Morrinhos, primeiro como Freguesia, uma repartição da Igreja Católica e do Império e depois até se tornar uma Vila e cidade. 

Até 1909, era um satélite de Morrinhos e com a morte do líder político que passou por Santa Rita do Paranaíba, Hermenegildo de Moraes, ocorrida em 1905 e cujo filho, nascido em Santa Rita do Paranaíba em 1870, foi eleito presidente de Goiás, foi derrubado pelo grupo político de Caiado e Bulhões, não assumiu o governo em 1909. Era o início do Coronelismo em Goiás e Santa Rita do Paranaíba fazia parte do pacto para manter o poder, onde os coronéis daqui, apoiavam os coronéis da capital na cidade de Goiás, que por fim apoiavam os presidentes de Minas Gerais e São Paulo. A Santa Rita do Paranaíba ganhou uma ponte em 1909 e reforçou o papel de ponto de passagem de Goiás para o Triângulo Mineiro e São Paulo. A mudança com a chegada da Era Vargas e Pedro Ludovico como interventor, foi marcada com uma primeira morte política, que era o prenuncia de uma novo período para Itumbiara, que ganharia esse nome a partir do fim de 1943. Com o início de um período mais democrático e com eleições, Itumbiara começou a ser uma referência na agricultura e não somente um ponto de passagem. Chegou a ser a terceira economia goiana nas décadas de 1960 e 1970. Vieram novas lideranças políticas, algumas com rápida passagem como Modesto de Carvalho e a cidade virou uma referência contra o regime militar, elegendo prefeitos da oposição, fato que seguiu após a redemocratização. O município chegava mais perto das redes do poder na capital goiana e em Brasília, sempre ocupando espaços, principalmente no governo goiano na Agricultura, Esportes, Transportes, Saneamento, entre outros. Chegou a indicar suplentes de senador, que inclusive ocupou a cadeira por um curto período. Indicava gente a postos no governo e em chapas nas eleições. A morte de Zé Gomes da Rocha em 2016, fechou este período de influência de Itumbiara no rumo da política em Goiás e também de ocupação de espaço do poder em Brasília. Órfãos de novas lideranças, perderam-se os espaços e a importância nas eleições. Dos 75 mil eleitores, aproveita-se pouco mais de 50 mil votos e que são repartidos para políticos de outras regiões. Ainda não se conseguiu novas lideranças capaz de unir forças e não se sabe para que rumo caminho a cidade em suas decisões políticas. Já não é para a capital goiana e nem para Brasília. Pela manifestação do governo local e dos representantes do Legislativo, o rumo parece ser agora o Sudoeste Goiano. O governo municipal tem uma preferência para apoiar em Brasília um deputado federal de Bom Jesus, que passou a ser um centro de referência política e terá duas opções competitivas nas eleições. Um vereador e uma vereadora vão disputar as eleições, sem estrutura econômica, como a de Bom Jesus. Até o novo time de futebol da cidade virá de Bom Jesus. Morrinhos que já teve governador, senador e deputado federal, deixou de ser a referência, agora ocupada por Bom Jesus. Outros três vereadores seguem um candidato federal de Bom jesus, que busca a reeleição e outro, apoia o segundo candidato de Bom Jesus que busca ser eleito deputado federal. Assim, o governo municipal e 40% dos vereadores entre 10 que não disputam eleições neste ano, vão apoiar candidatos de Bom Jesus. Um recém-deputado empossado, vai apoiar uma candidata de Rio Verde, que passou a ser a referência para o governo local. Lá está a agência de regulação do saneamento e até a escola para os agentes de trânsito de Itumbiara. 

O município perdeu também a representatividade no governo goiano e não tem um estagiário representando a cidade. Já levaram a titularidade dos serviços de água e esgoto e já controlam os serviços de resíduos sólidos, cuja área que seria de um aterro de Itumbiara, poderá ser repassada para controle de um consórcio que tem o comando em Bom Jesus. Outros vereadores apoiam candidatos de Goiânia para deputado federal, um pela fé religiosa. E Itumbiara, para onde vai nos dias atuais. Para o eixo do poder em Goiânia e Brasília e que não é. Parece que o Sudoeste com Bom Jesus e Rio Verde é a nova referência ou falta de rumo. Aqui virou apenas um ponto de apoio para a turma do Sudoeste que passa por aqui, e que será usada para tentar eleger um governador, novamente de Jataí.


Nilson de S. Freire - é advogado - mestre em Ciências jurídico-políticas pela Universidade de Coimbra, especialista em Política e Administração Fiscal pela FGV, bacharel em Direito pela UFG, Administração pela Fesit, mestre em História pela PUC GO e licenciado em História pela UEG. , 


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